08 julho 2014

Todos os amores eternos de cinco minutos da minha vida.


Eu relaciono o amor a um contrato ou simplesmente ao passar do cartão de créditos quando quero comprar algo. No jogo perverso do amor ambas as partes podem usufruir do relacionamento, mas precisam sacrificar algo em troca. No meu caso, seria o sacrifício do que eu mais amo: A liberdade. Não me levem a mal e não pensem que eu nunca amei ninguém, pelo contrário; eu já amei demais. Eu já transbordei sentimentos por cada poro da minha pele, mas um belo dia percebi que antes de amar qualquer outra pessoa no mundo, eu preciso me amar mais. E eu me amo. Me amo tanto que chega a ser egoísta. Me amo tanto ao ponto que não deixo nada e ninguém atrapalhar meus objetivos. Me amo tanto que o meu muro invisível é mais forte que a muralha protegida pela Patrulha da Noite em Game of Thrones. 
Em relação ao cartão de créditos, o amor também é visto como um impulso consumista. Eu vejo algo que quero comprar desesperadamente, não só desesperadamente, mas aquilo começa a me corroer. Eu preciso comprar e só Deus sabe como eu viro do avesso quando a minha necessidade de consumismo desenfreado aflora. Meu coração só volta a ter paz no momento em que eu digito a senha do meu cartão de créditos. E então eu quase explodo de alegria. Quando eu compro o mundo parece ficar mais bonito e isso continua até eu achar um novo alvo para consumir ou até a fatura do cartão de créditos chegar no final do mês. Eis o grande problema do amor parcelado em 3 vezes sem juros junto com aquela bolsa M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A da Guess: a fatura sempre chega. Só que após um tempo, até aquela bolsa de estimação acaba perdendo a graça. Paguei caro, usei por um bom tempo e então uma Louis Vuitton começa a aparecer em meus sonhos e meu coração começa a palpitar novamente. 
Talvez a maneira que eu trato o amor seja um tanto quanto fútil e eu não nego. Não me levem a mal, eu cresci lendo os livros de romance teen da Meg Cabot e amo assistir comédias românticas, mas não acho que me encaixo em 90% dos perfis das protagonistas das tramas. Também não pensem que eu acredito que o amor da vida real deve ser igual ao fictício; muito pelo contrário. Justamente por observar diariamente relacionamentos das pessoas ao meu redor e até mesmo desconhecidos que eu optei por ter um relacionamento sério comigo mesma. E com os meus Dolce&Gabbana. 
No auge dos meus 15 anos eu arranjei um namoradinho. Era o primeiro relacionamento sério da minha vida. Eu, que vivia enfiada em livros de mais de 300 páginas e rabiscando em cadernos sem pauta, não tinha ideia de como agir. Acho que aos quinze anos ninguém sabe. Bom, o Murilo foi a minha primeira compra no cartão de créditos. Será que compro mesmo? O custoxbenefício valia a pena? Qual é a senha do cartão mesmo? Por que não? 
Eu lembro que todas as minhas amigas namoravam na época, até a mais nova dela tinha pelo menos um rolo com um dos meus amigos de infância e eu me vi encurralada, solitária e curiosa. Aceitei o pedido de namoro do Murilo. Era tranquilo, gostoso e sem grandes emoções, o que era perfeito já que desde muito nova descobri que relacionamentos instáveis não eram para mim. Terminamos uma vez. Nessa vez eu percebi que sentia algo por ele, não uma paixão avassaladora, mas algo. E com toda a minha sabedoria de uma adolescente sem nada na cabeça, cortei o meu cabelo que época batia na cintura na altura dos ombros. Isso me rendeu a única briga que tive durante a vida inteira com a minha melhor amiga. Ficamos uma semana sem nem sequer falar uma com a outra e até hoje foi o maior período de tempo que eu e a Heloisa ficamos sem nos falar. Aquele corte Chanel se transformou em um dos maiores arrependimentos da minha vida já que depois disso nunca mais consegui deixar o meu cabelo do mesmo tamanho. Quem diria que qualquer coisa relacionada ao nome Chanel me traria algum arrependimento? Namorei mais um ano e meio com o Murilo. Quando completei 18 anos, mudei de cidade, conheci novas pessoas e comecei a olhar para os lados. Não sabia qual curso fazer na faculdade. Acontece que quando um relacionamento ultrapassa a marca do primeiro ano, as cobranças começam a bater na porta. Os juros da minha compra estavam cada vez mais altos e eu não sabia como reagir a isso e nem queria subir um degrau na escala de seriedade. Por me colocar em primeiro lugar e ter uma visão completamente diferente da do meu namorado terminei o relacionamento. Eu queria o mundo e acima de tudo, queria descobrir quem eu era.  
O segundo cara que teve importância na minha vida foi o Léo. Logo após terminar com o Murilo, comecei a fazer coisas que sempre gostei, mas não tinha coragem. Começar a praticar esportes além da obrigação de uma academia era uma delas. No mesmo ano comecei a praticar Artes Marciais e foi lá que conheci o Léo. No começo ele não me dava bola e por ser uma típica canceriana com ascendente em escorpião, fiz o coitado cair em uma das minhas armadilhas. Ele era o cara mais divertido que eu havia encontrado até então. Eu lembro que secretamente o comparei com um sapato que eu desejei por 6 meses, mas o preço era absurdo até o momento que um desconto mágico fez com que o par de sapatos custasse 50% do valor em uma liquidação rara. E por sorte, o único par restante era exatamente do tamanho do meu pé.  É, esse era o Léo.  O meu grande achado. O problema era o fato de ele ser perfeito demais. Companheiro demais e amigo demais. E foi isso que fez com que eu o enxergasse apenas como um amigo.Nessa altura do campeonato a Heloisa já queria me jogar pela janela. Terminamos, mas nunca deixamos de nos falar. Hoje em dia o Léo é o meu melhor amigo. Acho que essa amizade nunca existiria se eu não tivesse sido exatamente como foi. 
Dois anos após o Léo, entre várias idas e vindas, contratos amorosos feitos e desfeitos, relacionamentos de uma semana ou um mês, eu encontrei o Pedro. Ah, esse foi fatal. O conheci em uma das várias festas que frequentava em 2011. Ele chamou minha atenção e eu fui atrás dele. Eis uma grande verdade sobre mim: Se eu quero algo ou alguém eu vou atrás. Eu acredito que o machismo deveria ter ficado para trás no momento que a Coco Chanel vestiu o primeiro par de calças. 
Assinei o contrato de relacionamento com o Pedro, concordei com cada cláusula e até vi vantagens em um relacionamento aberto. Deu certo por mais ou menos um ano. Até que os juros da minha compra vieram. E bem altos por sinal. Ele era aquela bolsa Prada que eu havia comprado em 24 vezes e já havia perdido a conta de quanto e até quando teria que pagar. O resultado? O grande primeiro apego da minha vida. Ele era aquela calça velha e já esgaçada que eu usava mesmo sabendo que estava na hora de aposentar. O problema de ter uma peça favorita no guarda-roupas é quando você não sabe a hora de deixar de lado. E se vocês me perguntarem quando eu percebi isso, eu vou dizer que não faço ideia. Nós dávamos certo até o momento que não dávamos mais. E foi depois de sofrer e fazer o Pedro sofrer que eu percebi o quanto estava sendo egoísta. Eu precisava seguir em frente. 
E então, mais uma vez me vi aproveitando minha liberdade. Mesmo em um relacionamento aberto com o Pedro eu ainda me sentia presa de alguma forma. Presa a algo que eu nem sabia o que era. Após tantas reviravoltas, eu finalmente entendi que o tipo de vida que eu quero, os meus sonhos e objetivos não são compatíveis a uma pessoa que possui relacionamentos duradouros. Tive muitos amores nos intervalos desses meus três amores eternos de cinco minutos. Eu fujo de cada homem que insinua querer algo mais sério porque seria egoísta prender alguém a algo que eu vou acabar esquecendo no fundo do armário. Eu gosto de ser sozinha e isso faz com que eu tenha coragem o suficiente para explorar novos rumos. E me desculpem todos os homens que já se aproximaram de mim nos últimos tempos, mas eu estou em um relacionamento sério comigo mesma há 22 anos. E querem saber mais? É o melhor relacionamento da minha vida.  

* Todos os nomes são fictícios.
* A Heloisa ainda é a minha melhor amiga.
* E não, eu ~ainda~ não comprei a minha bolsa Prada. Não precisa surtar, mãe.

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