02 janeiro 2014

A tal felicidade.

Via We <3 it

Querido L, 

Eu lembro como se fosse ontem de uma conversa que nós tivemos no Hyde Park enquanto apreciávamos uma das raras tardes ensolaradas  do verão em Londres. 
Você ficou curioso com a forma que eu lido com relacionamentos e sobre a minha visão de felicidade, debateu comigo a maneira distorcida que enxergo o amor. Queria me convencer de que todo e qualquer ser humano só consegue se sentir completo quando tem alguém para compartilhar sua felicidade. Achei que eram caraminholas de sua cabeça loira e ri. Deixei você tentar desvendar o que se passa na minha mente - muito embaralhada, na sua opinião - e troquei de assunto logo depois. 
Nunca mais pensei sobre esse assunto desde que você foi embora, afinal, como tantos outros que passaram pela minha vida com milhares de teorias para descobrir o que se passa na minha "cabeça de vento", selecionei apenas alguma lembranças para recordar em momentos nostálgicos. 
Nós éramos jovens. Jovens e tolos. Lembro muito bem que você entrou na minha vida de uma maneira um tanto quanto peculiar. Estava viajando pelo mundo à procura de algo. Algo que você acreditava que poderia preencher o seu coração e alma. Algo que pudesse usar contra a solidão. Você falou que a palavra era felicidade e eu respondi na hora que a solução era procurar um psiquiatra e providenciar anti-depressivos. Porque, na minha concepção, todos os problemas do mundo poderiam ser resolvidos com terapia e só o que tinha a fazer era desembolsar um dinheiro no final do mês. Você disse que eu era perturbada, mas querido, hoje eu vejo que eu não sou perturbada, o mundo que é. O mundo é essa enorme explosão caótica e cabe a nós saber como sobreviver a ela. 
Dois dias depois de tropeçar em você na estação rodoviária, aceitei seu convite para dar uma volta em um dos pontos turísticos da minha cidade. Você tinha um sorriso largo e cabelos emaranhados. Um charme. Um perigo. 
Após você ir embora virei a página do meu livro, afinal, eu jamais alimentaria um relacionamento à distância. Ou qualquer tipo de relacionamento. Nós ficamos bem e demos certo naquele momento, eu não gostaria de estragar uma história que acabou de uma maneira tão serena. Eu tinha a minha vida para seguir e você precisava voltar para o mundo real. Ponto final e sem o felizes para sempre. 
Cinco anos se passaram após nossa despedida e eu realmente espero que você tenha encontrado o que tanto procurava. Espero que não tenha sido em uma caixa de anti-depressivos ou no divã de algum terapeuta. 
Estou escrevendo depois de todo esse tempo para dizer que você tinha razão. A tal da felicidade não é algo que eu possa encontrar ao esvaziar o bolso no final do mês ao pagar o meu psiquiatra. Ou o que eu sinto ao atingir uma das minhas várias metas mensais. E eu tenho tantas! 
Eu queria dizer que neste exato momento eu estou fazendo minhas malas e vou viajar sem rumo por aí. Eu vou atrás da minha própria felicidade. Eu aprendi nos últimos anos que se eu for corajosa o bastante para me encarar no espelho e saber que preciso começar uma busca interna para descobrir quem eu realmente sou e qual é o meu papel nesse mundo e se conseguir aceitar que posso sempre aprender um pouco mais com cada um que esbarrei durante a minha jornada, eu realmente posso encontrar um pedacinho de felicidade. Aprender a conviver comigo mesma e, acima de tudo, aprender a me perdoar talvez seja apenas o começo para a minha longa busca pela tal felicidade. 
Ah, eu comecei a escrever algumas coisas em um caderno sem pauta e queria dizer que é muito melhor que terapia. Eu estou embarcando agora na minha jornada e meu próximo destino é o Brasil e eu espero te encontrar por aí. 

Até logo, H. 

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