05 dezembro 2013

Sobre perdas e como eu não aprendi a lidar com elas.



Não sei lidar com perdas. Nunca soube. Morte, doença, partidas... Tudo isso deixa o meu mundinho de ponta cabeça e eu começo a agir feito uma louca. 
Passo dias sem dormir, sem comer e me recuso a sair do quarto. Minhas amigas sempre fazem uma intervenção para me tirar de casa e se não funciona, ameaçam me jogar um balde de água na cara. Normalmente eu costumo levantar depois que elas realmente aparecem com o balde no meu quarto e começam o maldito "vou contar até três". 
Cada um tem uma maneira de lidar com a dor e eu não julgo ninguém pela forma que absorve tudo aquilo. Assim como eu ajo como uma louca capenga, tem gente que não consegue derramar uma única lágrima. A verdade é que independente de chorar ou não, a dor de ninguém pode ser comparada. Eu perdi muita gente importante na vida. E provavelmente você também. 
A maioria das pessoas que eu vi partir foi um baque, em um segundo estavam ali e no outro tinham ido para o céu. É, deixa eu falar que vão pro céu, isso me conforta. 
Teve uma vez que eu perdi alguém bastante especial, mas não foi de supetão. Eu descobri que essa pessoa estava partindo aos pouquinhos e a cada dia que passava, parecia que um pedacinho de mim ia junto com ele. Doía não poder fazer nada. Doía ainda mais saber como aquilo ia acabar. A perda aconteceu duas vezes. Eu perdi quando soube o que ia acontecer e perdi quando ele se foi de vez. 
Eu fiquei oca e não consegui chorar por alguns meses. Vazia, só casca e com uma enorme lacuna no peito. Depois disso, aprendi que a vida é assim mesmo, algumas pessoas tem que passar por certas coisas e é isso aí. Nós temos que superar sozinhos e ninguém vai ficar ao nosso lado o tempo todo. 
Outra vez que perdi alguém foi no susto. Era domingo e eu estava almoçando com a minha família, eles estavam conversando sobre um acidente que aconteceu e sobre os envolvidos e eu, que odeio falar sobre qualquer coisa relacionada a morte, evitei ouvir o resto da conversa e ignorei as perguntas que eles me faziam sobre quem estava no acidente. Não era problema meu, fiquei muda e voltei para o meu quarto. Só que eu não contava com o fato de que a pessoa que havia falecido no acidente na verdade era meu problema sim. Era o meu melhor amigo. Eu gritei, fiz escândalo e passei o resto do dia chorando na minha cama. 
O ser humano é egoísta e não está nem aí quando o problema não envolve o seu nome. Eu, inclusive, sou uma dessas egoístas. E paguei com a língua. 
Eu nunca entendi muito bem como essa coisa funciona, no começo eu ficava com muita raiva. Me fechei, afastei todo mundo de perto, xinguei até o pai do papa e acabei precisando tomar remédio para dormir porque já estava trocando a noite pelo dia, rodei na faculdade, fiquei muito tempo sem colocar o nariz pra fora de casa. Me escondi nos meus livros de vez, nos meus filmes, séries ou qualquer coisa que aparecia para me proteger. Por um semestre inteiro, eu vi a vida passar pelos meus olhos de novo sem fazer nada, só como uma espectadora. Perdi a conta de quantas vezes a minha mãe gritou comigo, meu cachorro pediu por atenção e eu virei para o lado e segui dormindo ou recusava as ligações dos meus amigos no celular. Fiquei lelé da cuca. E dei muita dor de cabeça para a minha família. 
Então quando a ferida começou a cicatrizar e a raiva a sumir, eu me dei conta que estava perdendo a minha vida de novo. Deixando escorrer e me escondendo. Demorou, mas eu aprendi a lidar melhor com meus sentimentos. 
Hoje eu penso que tudo na vida tem um motivo. Alguns se vão mais cedo e tudo que a gente pode fazer é rezar por essas pessoas e lembrar dos momentos bons. Temos que focar e tratar com carinho quem ainda caminha ao nosso lado. Eu mesma, odeio dizer para as pessoas o quanto gosto delas e para mim abraço é quase uma obrigação social. Deixa, eu não preciso falar que gosto deles, eles sabem. 
Podem até saber, mas é bom falar isso às vezes. Eu engasgo quando tento colocar o "te" e o "amo" juntos e minha voz fica desengonçada. Normalmente eu prefiro usar o "eu também" que não tem nada demais. Minha família consegue arrancar de mim só o também, meus amigos arrancam um coraçãozinho via chat do facebook e um abraço não muito apertado. Antes eles só conseguiam um aperto de mão ou no máximo um beijo estalado na bochecha. Então acho que estou melhorando. 
Mas eu ainda tenho que dar mais um passo. Porque a minha família, o meu cachorro e os meus amigos podem sabet que eu amo eles, mas nunca me ouviram falar. E admitindo ou não, é bom ouvir aquelas palavras às vezes e se sentir acolhido. 
Minha meta para 2014 é aprender a dizer eu "eu te amo" para as pessoas que realmente importam. Parece firula, mas eu quero ver essas pessoas sorrindo quando eu conseguir demonstrar o quão especiais são para mim. Eu não quero mais chorar por não ter dito para alguém que era importante. 
Eu ainda vou chorar que nem uma doida varrida e andar por aí parecendo um zumbi todas as vezes que perder alguém, mas eu não quero que essas pessoas partam sem saber o que significam para mim. 

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