19 dezembro 2013

Seja uma vagabunda.

Via We <3 it

Quebrando todo o clima das crônicas aqui do blog, queria contar algo que aconteceu comigo ainda hoje. Algo que realmente me deixou irritada e não é a primeira vez.
Eu estava saindo da aula de Pilates quando encontrei um amigo que não via há um certo tempo na rua, o abracei e ele resolveu me acompanhar até minha casa para colocar o papo em dia - porque eu moro perto de tudo e ele estava indo ao centro da cidade. Conversávamos numa boa quando um cara passou por nós e falou algo muito grosseiro para mim. Daí vocês me dizem "ah, mas eles são assim mesmo. Mulher já deveria estar acostumada". NÃO, MULHER NÃO DEVERIA ESTAR ACOSTUMADA com comentários grosseiros e de baixo calão. Daí vocês me dizem "ah, mas tem mulher que gosta". Até pode ter alguma mulher em algum lugar do mundo que goste de ouvir baixaria no meio na rua, eu não duvido disso. Mas eu não e todas as outras mulheres que eu conheço também não gostam. E sim, esse é mais um textinho clichê sobre o respeito ao sexo feminino e mesmo assim, por mais comum que seja, parece que 80% da população masculina ainda não entendeu o que é esse tal respeito que a gente tanto fala.
Voltando a situação de hoje, ao ouvir aquele comentário, imediatamente meu amigo me defendeu mesmo sabendo que eu sei fazer isso. Suas palavras foram "Olha o respeito, cara. Ela tá comigo" o que foi machista, mas eu já falei isso para ele. A resposta do outro homem foi simplesmente "Bá, me desculpa aí, cara". 
O pedido de desculpas foi feito exclusivamente ao meu amigo. Não a mim, a pessoa diretamente atingida. Fiquei com raiva com a cena porque não foi a primeira vez e nem a segunda. 
Acontece que tem sempre um engraçadinho para passar de carro falando algo para mim quando estou saindo da faculdade à noite e eu fico com medo. Eles acham isso muito engraçado e fazem com a próxima. Que também ignora e segue andando por medo. E assim eles acham que é o comportamento é tão normal  quanto piscar os olhos. 
Fui a uma festa open bar esses dias. Todo mundo sabe que festa open bar aqui na minha cidade é sinônimo de exagero. O pessoal vai para beber e se pegar. Só que o fato de tu estar em uma festa não significa necessariamente que tu está lá para ser pega, se é que vocês me entendem. E nessa festa, rolou de tudo. Ok, cada um faz o que bem entender e eu não julgo ninguém, até porque foi minha escolha ir à tal festa. 
Só que depois de um certo tempo o pessoal já estava mais para lá do que para cá e a "homarada" começou a atacar tudo que é mulher que aparecia. Qualquer ser que tivesse uma vagina era puxada pelo cabelo, braço, fantasia - porque era uma festa temática -, bolsa, perna ou qualquer coisa que estivesse ao alcance do cara  que estava na volta. Daí vão me dizer de novo "Ah, mas tinha mulher lá que deixava ou que estava bêbada demais para se importar. Ou estava com fantasia curta demais" e eu vou responder: Se eu estiver pelada no meio da rua vou exigir respeito. Ninguém me toca a não ser que eu permita. 
E foi em um desses momentos que um  idiota que passava por mim puxou meu cabelo com tal força que eu virei e dei um soco na cara dele. Bem dado. O puxão foi tão forte que até arrancou uns fios do meu cabelo. Doeu mesmo, mas não mais que o soco que dei na cara daquele imbecil. Só que no momento que uma mulher dá um soco, um chute, uma voadora ou sei lá em um cara, ela não atinge só o físico. O coitado fica com o psicológico abalado também porque apanhou de uma mulherzinha. Uma vagabundinha. 
Não é a primeira vez que bato em um cara porque me senti desrespeitada e provavelmente não foi a última, mas quando tu ofende a masculinidade de um cara desse jeito, automaticamente tu passa a ser uma vagabunda. Porque se tu não te dá ao respeito tu é vadia. E se tu te dá ao respeito e não dá brecha para o cara, tu também é. 
Mas será que eu não mereci? Afinal, eu estava em uma festa open bar naquele dia. Afinal, eu estava andando na rua hoje e o cara estava no seu direito de me desrespeitar. E olha que eu nem falei o caos que é passar na frente do Aquarius sozinha... 
Eu sou uma vagabunda que vai enfiar a mão na cara de alguém toda vez que tocarem em mim sem permissão. Eu sou uma vagabunda que vai exigir respeito mesmo quando você estiver falando alguma chinelagem quando estiver passando na rua. Não que não seja seu direito, né queridinho? Não gostou? Ignora, vagabunda. Porque você também tem direito de me chamar assim quando eu falar que não estou interessada. Ou que tenho namorado (???) - digo isso porque isso já aconteceu com minha melhor amiga. Ah, e se eu for homossexual eu também sou uma vadia que tá é precisando de um pinto lá naquele lugar. 
É, esse é mais um textinho de uma mulherzinha dando piti porque não gostou do jeito que um cara agiu perto dela. Não que vá mudar alguma coisa porque é só mais uma vadia que pediu um pouco de respeito. 

2 comentários:

  1. Olá, gostei do seu blog. Principalmente desse texto. Disse tudo!
    Beijos!
    http://brunapopcorn.blogspot.com.br/

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  2. Oi Luiza, UM, acho que TODOS devem ser respeitados, DOIS, independente do local que estejam.
    Bonito teu blog, foi lendo o DP de domingo, que chegou sábado, 15/03, que descobri teu blog.
    Abraços, Mauro MS

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Obrigada pelo seu comentário! Até a próxima :D

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