03 dezembro 2013

Morrer de amor.

Via We <3 it

A gente cai. Fica no chão por alguns dias e levanta. Chora, come um pote de sorvete inteiro sozinha, faz jogo de dardos com o alvo em uma foto do cafajeste, bem no meio da testa. A gente passa o dia inteiro de pijama, óculos, cabelo oleoso e rezando para que nenhuma amiga ou parente chato venha dizer "reage para a vida menina". A gente engorda pelo menos uns 5kg, esquece de fazer as unhas e usar maquiagem. Sai para a rua com uma roupa tão apagada quanto aquele brilho que outrora estava em nossos olhos. É, ele fez um estrago e tanto. 
E parece que nunca vai passar. Cada vez que você olha uma foto nova em alguma rede social dá aquele sensação de que você engoliu um par de meias e ficou preso na garganta. 
Você acha que até uma pedra é melhor que você. Anda cabisbaixa e não se interessa mais por nada ou ninguém. Esquece que é uma pessoa inteligente, bonita e que tem força e garra o suficiente para alcançar o que quer. Tudo porque um idiota picou a mula sem dar qualquer tipo de explicação. E te deixou jogada no chão, reduzida a pó e achando que não vale um centavo furado. A auto-estima está no andar 10 abaixo do solo e você acha que jamais será capaz de gostar de alguém de novo. 
Ele foi embora e fez um pedacinho de você ir também. Porque de certa forma, cada vez que alguém nos decepciona, a situação acaba se transformando em um tijolinho que faz parte daquela barreira invisível e inquebrável que expele qualquer outra pessoa que tente se aproximar. E isso demora a passar. 
Ao mesmo tempo que você começa a cicatrizar, perder os quilos que só o chocolate e sorvete na frente da televisão te proporcionaram, aos poucos toma coragem de sair de casa sem achar que é um saco de lixo e até resolve que está na hora de mudar um pouco, você se fecha no seu mundinho para evitar qualquer outro tipo de decepção. Afinal, você não quer morrer de amor. 
Eu morri de amor algumas vezes e passou. Porque até a uva-passa tudo passa. Eu já vi o fim do mundo acontecer algumas vezes, perdi as estribeiras e comi uma pizza G sozinha. E depois ainda exterminei uma barra de chocolate inteira. É engraçado falar isso hoje em dia. 
Demora, mas a gente supera. A gente ergue a cabeça, respira fundo e segura firme porque a vida continua. 
Ocupa a cabeça com outras coisas, vai a outros lugares, viaja para bem longe, conhece gente nova, começa a fazer algo que sempre quis e nunca fez por pura preguiça, arranja um tempo pra si mesma, sai para correr sem rumo e começa aquela dieta que sempre fica para a segunda-feira que vem. Transforma sentimentos ruins em palavras, sabe, escrever costuma deixar a gente mais leve. 
A verdade é que nós sempre vamos morrer de amor e tentar se esconder até em baixo da terra. Vamos odiar o mundo e qualquer pessoa que chegue perto por um tempo. Mas você só precisa se dar uma chance de recomeçar do 0 de novo. Porque assim como a gente morre de amor, a gente ressuscita. 

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