18 dezembro 2013

A grande decepção amorosa da minha vida.

Via We <3 it

Meu primeiro grande amor não platônico - porque o ranger azul de Força do tempo não conta. Lembrete mental. - foi meu coleguinha da primeira série. E ele foi a minha primeira decepção também. 
Eu lembro que naquela época, a moda era jogar Tazo - aqueles discos coloridos colecionáveis que sempre vinham dentro dos pacotes de salgadinho na década de 90. Tinha que comprar aqueles pacotes gigantes de Fandangos, Ruffles ou Cheetos para conseguir o tal brinquedo. Como toda menina moleque, eu gostava de Tazos . Atucanava minha mãe para comprar o maldito Fandangos só porque eu queria mais um para minha coleção. E ela era enorme. Eu estava na primeira série quando a modinha dos pequenos discos explodiu. E os meus preciosos minutos de recreio durante o período que estava na escola eram destinados aos duelos entre Tazos. 
Era o que eu mais gostava de fazer quando estava na escola, embora minha paixão desde cedo se mostrou ser a escrita quando eu ainda estava compreendendo o que era o alfabeto.
Um dia eu estava concentrada estudando as vogais e consoantes quando a professora anunciou a chegada de um menino novo na sala de aula. Ele era loirinho e tinha a pele branquinha. Um amor de menino. 
Não deu outra: Todas as garotinhas da sala caíram de amores por ele. E tão óbvio quanto as vogais são A-E-I-O-U eu também me apaixonei perdidamente pelo loirinho. Malditos loiros, desde sempre atrapalhando a minha vida. 
Eu queria que ele sentasse ao meu lado, ele iria me dar oi e se apaixonar perdidamente por mim quando eu falasse que meu desenho favorito era Dragon Ball. Depois disso íamos namorar durante o período da escola e quando chegássemos ao fim da faculdade iríamos casar e ter filhos lindos. Ah e um deles se chamaria Goku e o outro seria Seiya porque eu também gostava de Cavaleiros de Zodíaco. Crianças podem ser realmente muito idiotas quando resolvem se apaixonar pelo coleguinha de classe. Mas eu tenho uma má notícia: Fica pior depois que crescem. 
Bom, voltando ao meu colega loirinho... Ele não sentou perto de mim. Ao invés disso, ele sentou ao lado de uma menina igualmente loira e com o cabelo comprido e que usava uma sainha de pregas. Fiquei decepcionada, mas resolvi conquistar o garoto no recreio, depois que terminasse de fazer meu tema sobre o alfabeto. 
O sinal do recreio tocou e todo mundo saiu da sala de aula. As meninas foram para um canto e os meninos para outro. Eu peguei os Tazos que sempre carregava na mochila para jogar com os meninos e trocar os repetidos. E foi aí que tudo começou. 
Eu costumava jogar Tazo durante o recreio inteiro com o clube do bolinha e alguma outra menina perdida que aparecia por ali. Eu batia no chão com toda força para virar os Tazos que eu queria e no final da tarde voltava feliz da vida e com as mãos vermelhas para casa com mais algumas figuras na minha coleção. E era só isso que me interessava até o momento que o aluno novo também entrou na rodinha do Tazo. A partir daquele momento meu foco principal não era mais virar todos os discos que estavam no chão e sim chamar atenção do menino. Descobrir tudo sobre a vida dele e gostar das mesmas coisas que ele.
Então todo santo recreio a partir daquele dia era o meu momento favorito do dia inteiro. Eu esperava ansiosamente por aqueles 15 minutinhos com o coleguinha. Enquanto eu ficava jogando com os meninos, as garotinhas da minha classe, que eram mais bonitinhas, mais altas e com o cabelo mais comprido que o meu - oi, cabelo tigelinha - mostravam suas pulseiras de miçanga, estojão cheio de canetinhas e coreografia das Chiquititas para o meu amor platônico. Obviamente, as minhas colegas mais femininas e que não se metiam em brigas na escola chamavam mais atenção que eu. Tentei ser igual a elas por uns três dias quando vi que o loirinho era muito mais atencioso com elas do que comigo e foi um completo desastre. Eu lembro que enchi tanto o saco da minha mãe para me dar a sandália da Xuxa, Eliana ou sei lá eu quem que só fiquei feliz quando estava com os sapatos nos pés. Ah e pedi um estojão de canetinhas também. Mas o colega loirinho se interessou? Não. Na verdade, não fez a mínima diferença. Ele me tratava como um menino. 
E isso se prolongou por um bom tempo até que um dia o menino veio conversar comigo sobre meus Tazos, eu lembro que ele falou sobre a minha coleção ser grande e eu ter um dos Tazos que ele queria muito e que por acaso era o meu favorito. Ele já havia comprando muito Fandangos, mas nunca achou aquele disco específico. Trocamos mais algumas palavras, ele elogiou minha tornozeleira de miçanga e a aula chegou ao fim.
Naquele momento eu tive certeza que ele me amava, que queria andar de mão comigo por toda escola e ser feliz comigo, o Goku e o Seiya. Nós seríamos felizes para sempre.  
No dia seguinte eu estava determinada a provar meu amor: Iria entregar para ele o Tazo mais valioso da minha coleção. Em troca ele me daria um beijo na bochecha e nós daríamos as mãos. 
Eu cheguei mais cedo na escola, sentei no meu lugar e esperei ansiosa pela chegada do grande amor da minha vida. Ele chegou, me deu oi e sentou no seu lugar, perto da menina loira de sempre. Ela mostrou a Barbie nova e eu continuei concentrada em meus pensamentos. 
O recreio finalmente chegou e eu chamei o menino perto da escada que dava para o banheiro da escola e entreguei o meu bem mais precioso para ele. O meu Tazo favorito. Ele sorriu, me abraçou e disse que eu era a melhor das melhores. A melhor amiga de todas. E saiu correndo. 
Melhor amiga? Como assim? Eu havia declarado meu amor e ele simplesmente me abraçou e saiu correndo? 
Pouco tempo depois eu o vi correndo até a menina loira, bonita, com cabelo comprido, saia de pregas e Barbie nova para mostrar sua nova aquisição. Mais que isso, quando cheguei mais perto, ele entregou o meu presente para ela. O símbolo de amor eterno era um presente para outra pessoa. Depois disso os dois saíram de mão pela escola, felizes da vida enquanto eu fiquei ali triste por ter sido enganada e por ter perdido o meu Tazo favorito para um loirinho cafajeste. 
Depois disso eu jurei que nunca mais iria amar alguém na minha vida. Meninos eram estúpidos e não prestavam. E definitivamente não mereciam meu tempo ou os meus Tazos. 

Um comentário:

  1. ADOREI....JA ESTOU NO MEU NET BOOK COR DE ROSA. ADIVINHA QUEM É O MEU PROFESSOR? TE AMO VÓ.....

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Obrigada pelo seu comentário! Até a próxima :D

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