30 novembro 2013

Mais uma noite.

Via We <3 it

Para ler esse texto ao som de One more night do Maroon 5.

A gente era um negócio complicado. Negócio porque eu tenho aversão à palavra relacionamento e talvez isso tenha ferrado muita coisa. 
A gente se conheceu de uma forma curiosa, eu estava lá em uma festa feliz da vida com uma amiga semi-bêbada e você passou uma vez. Eu te quis de primeira e eu nunca escondi isso. Passou e nem me olhou. Ok, talvez não tenha me visto, vou esperar mais um pouco. Passou mais duas vezes e nem notou a minha presença. Tinha alguma coisa errada comigo? Além do cabelo enredado e a maquiagem escorrendo? Minha amiga disse que não. Respirei fundo e vi que você se aproximava mais uma vez. Agora sim, você ia me notar. Querendo ou não. Porque eu  te queria e você já conhece a minha teimosia. 
Não me olhou de novo? Ok, eu já estava um pouco bêbada para deixar para lá. Ou bêbada o suficiente para deixar minha amiga no vácuo e sair caminhando atrás de você feito uma maluca. A passos rápidos e me equilibrando em um salto de 15 centímetros lá fui eu indignada querendo saber o porquê de você não me querer. Num tom meio desengonçado, meio bêbado e meio envergonhado perguntei seu nome. E esqueci cinco minutos depois porque minha memória é péssima para nomes. 
E a partir daí que minha coragem alcoólica se transformou no nosso negócio. Que era desajeitado, inconstante e sem muitas expectativas, mas era o ideal para mim. 
O tempo passou, as coisas não deram muito certo como era de se esperar. Ah, não me culpa, as coisas não dão muito certo quando envolve sentimentos. E todo mundo sabe que eu faço parte do clubinho da emoção. 
Não me leva a mal, mas é que eu transbordo. Eu faço drama e mesmo querendo um pouco de nada, eu quero um pouco de tudo. E mesmo quando os únicos sons que saem da minha boca são monossilábicos, eu quero é despejar tudo. E quero que você entenda. É que eu sou mulher e mulher faz mulherzice. 
A gente se separou no meio do caminho. Você encontrou outras e eu também estava envolvida com meus vários outros amores. Amores de uma noite, que eu já esqueci o nome, amores para cantar Maroon 5 no karaoke e passar vergonha, amores para andar de bicicleta, pular muro, nadar sem roupa na praia durante a madrugada, amores para tirar fotos idiotas e colocar no facebook com uma legenda mais idiota ainda. Amores que me faziam sentir uma garotinha de vinte e poucos anos apesar de os trinta baterem na minha porta. 
Nos cruzamos mais umas três ou quatro vezes. Oi, tudo bem? Como vai a vida? Ótima e a sua? 
Fiquei com o seu número, você anotou meu endereço. Deletei do celular ao virar a esquina. Acho que algumas pessoas são geneticamente feitas para não combinar e nós, meu querido, somos o perfeito exemplo disso. E quem sou eu para ir contra as regras do universo? Sou teimosa. E quando me dizem não, eu tenho mil e uma cartas na manga para os nãos virarem sins. 
Saímos, bebemos, não cantamos no karaoke porque você não queria passar vergonha. Seus sapatos acabaram na porta do meu apartamento e meu vestido jogado em um canto qualquer do meu quarto. Era sempre assim que acabava mesmo. 
Manhã seguinte, sai de fininho da minha própria casa, rezando que você não estivesse mais la quando eu voltasse. E não estava, grazadeus. Essa coisa de one more night é perigosa quando duas pessoas erradas resolvem dar certo. 
Só que eu liguei na noite seguinte, você enviou mensagem de texto na outra e quando me dei conta já estávamos sentados no sofá comendo pizza e tendo aquela conversa de "como foi o seu dia?" e droga, o meu travesseiro já estava impregnado com seu perfume. Era tarde demais, de novo. 
Ia dar tudo errado e eu não tinha mais idade para brincar de pega-pega, esconde-esconde, verdade ou consequência ou qualquer outro desses joguinhos que a gente gostava tanto de jogar. Meu coração nunca foi adestrado para viver em uma eterna montanha-russa. Ou no nosso eterno negócio. 
Ia dar tudo errado, de novo. E eu não queria que desse certo mesmo. Vai ver o que é errado é tão errado que às vezes pode dar certo. Mas eu não ia pensar nisso aquela noite, porque aquela noite você era meu. E eu sempre teria a manhã inteira para sair de fininho enquanto você estivesse babando no meu travesseiro. Ou talvez eu até gostasse de te ver babando no meu travesseiro. Mas só por mais uma noite eu não ia pensar mais nisso. É, só mais uma.

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