09 novembro 2013

Então me ame.

 Via We <3 it


Esses dias eu reli um dos meus livros favoritos e na corrida acabei me empolgando e assistindo o filme dele de novo também. Comer, rezar e amar é uma história que me faz pensar na vida e eu até me identifico com a personagem principal. 
Eu sou aquele tipo de pessoa que tem medo de mudanças e que planeja absolutamente tudo que vai acontecer na minha vida. Eu tenho medo de falar o que penso ou sinto porque sempre acho que vou acabar magoando alguém, quando na verdade, eu magoou muito mais por ficar calada. Eu me machuco e machuco os outros. E isso foi uma das grandes correntes que me prendiam a um mundo solitário rodeado por livros e remédios para dormir. 
Nunca tive dificuldades para devorar um livro em algumas horas, mas percebi que o meu maior desafio é ler a mim mesma. 
Em junho deste ano, fui para a Itália, esperando viver uma experiência inesquecível e toda aquela coisa de impactar a sociedade e ajudar ao próximo. Acabei me metendo em uma furada e o meu intercâmbio social acabou sendo na verdade, um trabalho para entreter os filhos de gente rica. Eu fiquei chateada, com raiva e quis dar uns bons socos na cara dos responsáveis pela minha viagem. Reclamei por dias, me senti injustiçada e acabei deixando de lado o fato de estar realizando um dos meus maiores sonhos, que era o de viajar para a Europa, para odiar o mundo. 
Foi então que eu percebi: Eu estava jogando o meu maior sonho no lixo por não ter acontecido como eu queria. Porque a minha necessidade de planejar tudo que acontece a cada segundo na minha vida estava fazendo eu perder tudo que tinha conseguido de bom. 
Eu parei para pensar no que estava acontecendo ao meu redor e joguei longe a culpa por tudo estar errado. Também joguei longe aquela coisa que minhas amigas costumavam dizer... Como é mesmo o nome? Vitimização. Se fosse para sofrer em algum lugar do mundo, quer lugar melhor que Nápoles para lamentar e encher a barriga de pizza? 
Foi difícil, mas aos poucos eu percebi que a vida é feita de erros e por mais que eu tente consertar todos e me manter sã, as coisas nunca vão sair exatamente como eu quero.
E então eu resolvi explorar, parar de me importar, experimentar coisas novas, enfrentar medos, retomar velhos hábitos que me deixavam feliz e me apaixonar. Sim, me apaixonar pela vida. 
No final, aquela cilada se tornou uma jornada de conhecimento. E eu decidi que explorar a Itália não era o suficiente, a minha fome não era mais de pizza ou massa ao mil e um molhos. A minha fome era de aventura e do desconhecido. Com algumas palavras em italiano no meu vocabulário, uns 3kg a mais que o meu peso ideal e o coração apertado por deixar pessoas incríveis que conheci para trás, parti para Paris. 
O meu trajeto foi de Napoli, passando por Roma, Paris e Amsterdam até Londres. Londres sempre foi o lugar dos meus sonhos, terra da rainha não, terra de Harry Potter. Onde a magia iniciou e me acompanhou por mais ou menos 11 anos da minha vida. E é clichê falar, mas eu me senti em casa. Através das janelas das casas antigas, da chuva que caia sem parar e dos guarda-chuvas se batendo na rua, de alguma forma eu senti que pertencia a algum lugar. E como se aquilo não pudesse ficar mais perfeito, eu conheci o próprio Harry Potter. É, o Daniel Radcliffe em carne, osso e pouca altura. Não achei a tia Jô por lá, mas dar um "oi" para o cara que interpretou o menino que sobreviveu foi o suficiente para mim. O baque de realidade foi no dia 20 de agosto, quando embarquei de volta para o Brasil. 
Voltei com três malas no bagageiro e o coração apertado. Porque deixei outro coração apertado também. Desembarquei em terras tupiniquins crente que estava diferente o suficiente para bater de frente com todos os problemas que deixei para trás. Só que para a minha surpresa, eu não resolvi nenhum deles. Não porque eu fugi, mas eu entendi que por mais que a gente lute para deixar as coisas claras como água, algumas delas devem permanecer no passado. No começo eu fiquei triste, tentei esconder isso em algum cantinho bem escondido de mim e então percebi que estava fazendo de novo: Eu estava tentando parecer forte, mas antes que eu pudesse esquecer, me dei conta de algo: Nessa viagem eu compreendi que lágrimas e tristeza não me tornam fraca. Me tornam humana. E sinceramente? Hoje em dia tem que ter muita coragem para se permitir chorar. 
O xis da questão e de todos os problemas que demorei tanto a entender, é que algumas pessoas simplesmente passam pelas nossas vidas, deixando marcas ou não e depois nos libertam para crescermos sozinhos. Mesmo que isso doa. Mesmo que demore para cicatrizar. E é assim que a vida funciona. 
Mas diferente do que eu pensei, eu não chorei mais. Eu levantei a cabeça e corri atrás de velhas paixões que deixei de lado com o tempo, tirei livros que sempre quis ler do fundo da estante, lavei o meu kimono e voltei a praticar Karatê, comecei a dançar para perder a vergonha de mim mesma, sai para algumas festas sozinha e redefini o papel de algumas pessoas na minha vida. Foi conturbado e eu ainda estou acostumando com tudo que acontece sem planejamento. 
No meio dessas travessias e andanças, eu finalmente aprendi a me ler, a me aceitar e ignorar tudo que me faz mal. Eu tenho mais livros na minha estante que amigos, eu fiz uma tatuagem esses dias porque tinha medo disso, luto karatê, adoro tomar banho de chuva, sou um pouco tímida quando não conheço as pessoas, fico com raiva quando alguém toca nos meus livros sem permissão, ando na rua com os fones de ouvido a todo volume, tenho medo de filmes de terror, mas não tenho medo de atravessar um continente inteiro sozinha. Sou desastrada, sou tão ruim na cadeira de fotografia quanto era em matemática e se eu pudesse, passaria o resto da minha vida escrevendo histórias.. Sei cantar todas as músicas de Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, meu jogo favorito é Imagem&Ação, sou gremista, mas não tenho ideia do que acontece com o meu time. Troquei de faculdade três vezes por medo de decepcionar a minha família ao admitir que a minha paixão era o jornalismo. Odeio sorvete e recentemente descobri que bacon é uma das melhores coisas do mundo. Já me decepcionei demais, mas também já magoei algumas pessoas. Pensei que não ia sobreviver a algumas noites e já levei um pé na bunda de amigas e de algum cara que eu gostava muito. Mas tudo passa, então eu vou deixar a vida como ela deve ser, sem ter que me preocupar com cada segundo dela. Eu vou me amar e se você puder, me ame também, talvez eu te ame de volta e sem medo. Vou te dizer algo que eu aprendi por aí: O amor é o sentimento mais parecido com a magia que existe nesse mundo. 



"Você tem de ser muito gentil consigo mesmo quando estiver aprendendo uma coisa nova." - Comer, rezar&amar.


3 comentários:

  1. Lindo, cada dia melhor...

    ResponderExcluir
  2. AHHHHH que lindo lu!!!! até chorei, juro!!! tu é uma grande escritora MESMO!!!! :D
    bjo da tua amiga que tu sabe que é tua pra sempre!!! Cris!!! <3

    ResponderExcluir
  3. Lindo, muito lindo !
    Eu sempre soube que tu tinha talento, mas a cada dia tu te supera !

    M. Santos (:

    ResponderExcluir

Obrigada pelo seu comentário! Até a próxima :D

© Luiza de Jobim Copyright 2016 Todos os direitos reservados.
Design by Tamires Sobral | Portfólio Ícones by flaticon.com