28 outubro 2013

Das amizades que se vão com o tempo.


Das amizades que se vão com o tempo eu guardo os sorrisos. E as risadas. Os choros e os dramas também.
Eu levo comigo o colar que ganhei de aniversário, junto com a cartinha que explicava o porquê do presente e os bilhetes que a gente trocava em sala de aula sobre um dos meninos bonitos. Ou nem tão bonitos, pensando bem.
Às vezes eu até olho algumas fotos antigas e faço algumas constatações sobre mudanças e escrevo uma cartinha ou outra. Eu tenho curiosidade para saber como anda a vida das minhas amigas inseparáveis nem tão inseparáveis assim e me pergunto se elas têm curiosidade também.
Eu nunca fui muito boa em entender os relacionamentos humanos, devo ter dormido demais em alguma aula de Sociologia ou não li os textos que os professores mandavam. Ou o que eu vou dizer agora é pura caraminhola da minha cabeça porque já são 3h da manhã e eu acordei com vontade de escrever alguma coisa.
Já passei muitas vezes por processos de “desamizade” e assim como o desamor, eu não entendo o fato de uma pessoa que estava tão presente na minha vida virar poeira. Ok, na hora eu posso até entender, mas hoje eu penso que essas coisas não fazem o menor sentido.
Quando eu era pequena, eu tinha uma amiga que se chamava Bianca. Ela era mais nova que eu e tinha a língua plesa igual a do Cebolinha. Eu e ela vivíamos juntas e consequentemente, vivíamos brigando. E isso durou muitos anos. Tinha épocas que eu e a Bianca nos afastávamos, ficávamos até um mês sem se falar por causa da escola ou alguma outra coisa – quando não era uma briga enorme por algum motivo realmente pequeno. Mas quando a gente se reencontrava, as coisas não pareciam ter mudado entre nós.
Como tudo na vida, eu e a Bianca seguimos caminhos completamente diferentes e perdemos todo o  contato. Cada vez que eu via ela na rua, era um oi mal dado e às vezes acompanhado de um “tudo bem?”. Ouvia alguns comentários sobre a vida dela por outras pessoas que eu nem tinha ideia que eram amigos dela ou por alguma conversa entre nossas avós.
O afastamento foi inevitável, mas hoje eu penso que nem por isso uma amizade precisa se perder assim. Os risos continuam lá, as brincadeiras, os dramas e os detalhes contados de como foi o primeiro beijo de cada uma. Os choros pós-término com nossos mil e um amores de adolescência e algumas bebedeiras de festas em casa. E as ressacas escondidas dos pais também.  As brigas, sempre muito marcantes com um “eu te odeio e nunca mais vou falar contigo!” também estão no mesmo lugar. E o curto prazo delas também.
Hoje em dia, eu não vejo mais a Bianca e ao perceber que afastamento não é a mesma coisa que romper uma amizade, falei com ela algumas vezes. Ainda não tivemos a oportunidade de sentar e conversar sobre a vida e o que mudou nesses últimos quatro – ou cinco – anos que estamos sem sentar com um pote de sorvete enquanto falamos mal de algum cara que quebrou nosso coração, mas eu ainda quero fazer isso e eu estou levando isso como uma das minhas metas de ano novo, então, se tu tá lendo isso, já reserva um horário na tua agenda para algum dia a gente sentar e falar da vida, viu Bia?
O que eu queria falar nesse texto não era da minha amiga de infância que está em algum lugar por aí, mas sim toda essa história de esquecer que algum dia existiu uma grande amizade porque a vida tomou caminhos diferentes. Não deixem os sorrisos serem esquecidos, nem as brigas e mimimis. Não deixem de lado grandes amigos só porque eles não estão mais ao seu lado diariamente, porque de uma maneira ou outra, eles sempre estarão aí para vocês. E cuidado para não perder as Biancas de vocês por aí.


Um comentário:

  1. Olá Luiza. Cheguei aqui por meio de tua página no facebook. achei fantástico o teu blogue e muito interessante tua reflexão. Temos pouco tempo e muita coisa para viver devemos aproveitar da melhor forma possível. Um abraço pra ti!

    Vanessa Vieira
    http://pensamentosvalemmaisqueouro.blogspot.com.br/

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Obrigada pelo seu comentário! Até a próxima :D

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