21 maio 2012

Aqueles sonhos frustrados



Sempre fui o tipo de pessoa que tomou decisões erradas. Ok, atire a primeira pedra quem nunca fez uma escolha infeliz. Mas eu? Eu cometo erros o tempo inteiro. Acho que nunca em toda a minha vida consegui tomar uma decisão certa. Lugar errado, hora errada, amigos errados, namorado errado, faculdade errada. Você deve estar pensando: Então por que simplesmente mudar isso? Eu tento, acredite. Mas parece que quanto mais luto para fazer algo certo, mais as coisas começam a dar errado. E eu acabo com medo de errar mais uma vez, frustrar-me mais uma vez, ver meus sonhos se despedaçando pela milésima vez... E opto pelo mais seguro. Engulo palavras, sentimentos e sou deixada para trás enquanto a vida passa.
Desde pequena eu tive esse pequeno grande sonho, queria ser escritora, acho que tinha uns quatro anos de idade quando comecei a fazer livrinhos com folhas de ofício, cola bastão e lápis de cor.  Montava histórias absurdas e achava o máximo quando meus coleguinhas da pré-escola compravam um exemplar por 50 centavos. Eu acreditava na magia dos contos de fadas que lia e para mim a coisa mais bonita que alguém poderia ser era escritor.
Os escritores tem o mundo na palma da mão. O seu mundo de fantasias e impossibilidades, pelo menos. E eu decidi que queria fazer parte daquele mundo, eu queria criá-lo, mas como os sonhos infantis são bobos e inocentes. O tempo passou, eu cresci sonhando com o que queria ser, com todos os meus coleguinhas e até alguns professores rindo quando eu falava o que queria ser. E então eu fui me fechando, mudando minhas metas e trancafiando tudo aquilo que acreditei durante a minha vida inteira a sete chaves.
Nunca me importei muito com a minha vida amorosa, não tinha a necessidade obsessiva de arranjar algum namorado como a maioria das garotas do Ensino Médio tinham naquela época, tive um, dois, três namoradinhos... Nada que eu pudesse dizer que mudou a minha vida. Errei nas escolhas, errei na hora de dizer coisas que mesmo não sentindo os fazia acreditar que sim só para não ser (uma filha da puta sem consideração) fria a ponto de dizer um “legal”.
Após perder alguém importante na minha vida, comecei a dedicar meu tempo a fanfictions sobre Harry Potter e lá naquele site que passava 80% do meu dia redescobri aquela minha velha e única paixão: a escrita. E mais além: eu percebi que várias pessoas paravam para ler as minhas histórias, paravam para comentar e elogiar. Então percebi que talvez essas pessoas que riam e me chamavam de patética pela minha “coisa de escritora” talvez fossem apenas mais erros na minha vida. O Potterish mudou minha vida mais uma vez. O carinho que eu tinha daquelas pessoas que liam minhas histórias era tão grande que eu simplesmente não me importava quando alguém me dizia que eu não ganharia absolutamente nada ao perder um bom tempo escrevendo “bobagens”.  Talvez uma das poucas escolhas certas em toda a minha vida.
Uma escolha certa e dez erradas. Com o fim do Ensino Médio, minha convicção de que deveria seguir a carreira da escrita só havia aumentado. Eu dizia que queria fazer letras, jornalismo, cinema, teatro... Qualquer coisa que me fizesse fugir da monotonia que se tornara tão presente nos meus dias. E mais uma vez meus sonhos foram reprimidos por aquele baque de realidade em que todos diziam que minha vida seria medíocre porque escrever nunca me levaria a lugar algum. E então o caminho dos tijolos amarelos se fechou para mim.
Escolhi um curso em que nunca cogitei fazer antes por falta de interesse na área, por não ser o meu perfil profissional e por puro desprezo. E por quê? Porque eu sempre sonhei em ser grande, em mudar muita coisa que eu julgava ser errado, mal sabendo que carregar o mundo inteiro nas costas não era algo que pudesse fazer. Eu me sentia infeliz cada vez que pensava como seria o meu futuro. E então desisti. Obviamente a minha desistência gerou comentários de gente totalmente insignificante na minha vida, mas que de uma forma ou de outra conseguiram me atingir. Parabéns a vocês.
E mais uma vez, me sentindo perdida, confusa e até desesperada... Em um impulso escolhi outro curso completamente diferente. Talvez a minha vontade desesperada de fugir fosse tão grande que eu simplesmente me preocupei mais em sair daquela grande teia de aranha que insistia em me enredar cada vez mais do que nas consequências a serem pesadas. Então eu errei mais uma vez. E errei feio. Porque talvez a minha grandeza seja diferente da do que me foi imposta a vida inteira. Talvez a minha grandeza não esteja em salvar vidas, encontrar a cura para uma doença rara ou passar a vida inteira atrás de um balcão atendendo doentes. Talvez eu tenha nascido para ser grande mesmo, mas da minha forma. O problema é quando o tempo começa a passar e você vê que o que deixa os outros felizes e realizados... Não é o mesmo que você almejou durante toda a sua vida. E um dia, quando você estiver completamente sozinha – surpresa, meu amor! Mais cedo ou mais tarde, todos nós dormimos sozinhos – não terá nada além de poucos sonhos frustrados e um horário a cumprir em uma farmácia barata. 

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