22 março 2012

São as águas de março fechando o verão.


Nada melhor que escrever um pequeno texto inspirado nas mesmas músicas que outrora inspiraram minha mãe a me dar este nome – Luiza – cantadas por Tom Jobim.
São as águas de março trazendo o outono e selando as memórias do meu décimo nono verão.  É o fim da temporada do calor preguiçoso e das festas à luz da lua cheia, da música latina dançada na beira do mar. 
Posso dizer que mudei, sinto que mudei quando a primavera se despediu mais uma vez ao fim do ano passado. E pela primeira vez, afirmo com todas as letras, foi para a melhor. Quero dizer, eu ainda continuo aquela  azarada e desastrada que tropeça nos próprios pés e bate a cabeça no vidro da janela, mas ainda sim, amadureci. Não, eu não deixei de ser essa criança boba para me tornar uma adulta com grandes responsabilidades e um futuro brilhante, até porque isso é algo que vai travar uma batalha interior e demorará muito mais que uma estação preguiçosa para isso.
Acho que aprendi o real significado de lealdade, aprendi a sentar no chão com as pessoas que me importo e a enfrentar seus problemas lado a lado, algo que antes, minha mente egoísta não me permitia fazer. Aprendi também a escutar os conselhos de quem tem um pouquinho a mais de conhecimento, a deixar o orgulho de lado e a gostar mais de mim, aprendi a levantar a cabeça e enfrentar os desafios impostos pela vida. Sim, eu ainda estou confusa e não espero grandes feitos meus no futuro, mas talvez agora eu tenha um pequeno incentivo para que devagar e do meu jeito, eu encontre uma maneira de seguir meu caminho.
Aprendi a arriscar e parar de planejar tanto, a deixar que as coisas fujam um pouco do meu controle, a olhar para o copo sempre meio cheio. A não me prender àqueles velhos rótulos e que quando eu menos esperasse, coisas boas poderiam acontecer. Talvez o simples fato de ter o gosto musical incomum com alguém pudesse me levar a dar algumas voltas pelas ruas, dar boas risadas e conversas interessantes.  Ou quem sabe, talvez seja necessário fugir de suas origens, cruzar o Rio De La Plata sozinha com as pessoas mais fantásticas que já conheci e viver belas indiadas para me fazer parar e pensar o quanto eu estaria perdendo por me lamentar o resto da vida por alguém que já se foi, mas me faz ter boas lembranças e entender que a vida é bonita do jeito que ela é, com seus avessos e rodopios.
Aprendi que nem sempre aquelas pessoas que parecem certas vão permanecer na minha vida, por mais que eu lute para isso. Não se pode ir contra a corrente de um rio furioso - mais conhecido como vida, prazer. E quem sabe, talvez, abrir minha mente  esperar algo daqueles que parecem tão errados. Talvez errados não seja a palavra certa, mas já desisti de encontrar alguma explicação para certas pessoas que surgem na minha vida e que de um jeito meio estranho acabam se tornando especiais mesmo não acontecendo exatamente como o roteiro manda.
E então com o fim de março, me despeço de um verão cheio de momentos e a promessa de um ano novo e cheio de desafios, mas dessa vez enfrentados de cabeça erguida. 

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