30 março 2012

Nós, garotas não-apaixonantes.


Talvez “não-apaixonantes” não seja o termo adequado para definir o que quero abordar hoje. Talvez apenas não seja a maneira correta de encaixá-la na sua vida, quero dizer, ela pode ser tão apaixonante quanto qualquer garota que você cruza em uma festa e cai de amores. Mas da maneira dela e até você descobrir o quão especial ela pode ser será tarde demais.
Ela pode ser sua melhor amiga, sua vizinha de infância que brincava de power rangers no meio da rua nas noites quentes de verão, a garota com os fones de ouvido passando por vocês nos corredores da faculdade e você se pergunta “por que raios ela nunca tira esses fones?” ou pode ser a garota que está sempre rodeada de amigas e ignora a existência de qualquer cara que tente uma aproximação mais “brusca”.
O fato é: Nós, garotas não-apaixonantes estamos em todos os lugares, mas nos disfarçamos muito bem essa maneira diferente de te olhar porque sabemos que nunca chegaremos aos pés daquela garota que tem aquelas fotos legais, dança ballet e tem um corpo escultural. Nós normalmente acabamos optando pela tão famosa e temida friend zone.
Nós, garotas-não apaixonantes somos aquelas que estão sempre fazendo alguma piada idiota enquanto você ri, somos aquelas que gostam das mesmas bandas que você enquanto as outras garotas não tem ideia de que estamos cantando Born to be my baby. Somos aquelas que você vai contar o seu dia por mensagem de celular, somos aquelas que você vai lembrar ao ouvir aquela música que sabe que gostamos tanto e dizer “lembrei-me de você hoje” informalmente. Somos as garotas que vão disputar o último pedaço de pizza com você e te chamar de lesado por não ser tão rápido ao tentar pegá-lo, somos as garotas que vão te receber em casa com o cabelo molhado, sem maquiagem e com um chinelinho simples ao invés do tradicional salto-alto e quilos de pó no rosto.  Somos as garotas que vão te ganhar no videogame e te jogar um travesseiro na cara para se gabar da vitória. Nós, garotas-não apaixonantes vamos passar madrugas conversando contigo enquanto morremos de sono, mas não queremos dormir porque a conversa está boa demais. E adivinha? Você nem vai notar.
Nós passamos bem longe das suas ideologias e expectativas. Nós não chamamos a sua atenção justamente por sermos “as garotas mais legais que você já conheceu e que ninguém mais aguentaria o seu humor da mesma maneira”. Nós, garotas não-apaixonantes estamos sempre lá. Mas até quando?
Do mesmo modo que você não nota nos trejeitos e peculiaridades, aquele outro cara, é, aquele mesmo que cara que você já se pegou pensando várias vezes o quão sortudo é por ter achado uma garota daquelas, vai notar.
Esse mesmo cara vai achar a nossa risada gostosa, vai achar o máximo o fato de nós gostarmos daquelas bandas que nenhuma garota conhece e a maneira como não largamos o bom e velho lanche por uma salada por causa das 100 gramas a mais na balança. E então nós também vamos começar a prestar atenção nele. E você vai se perguntar o porquê do interesse dele por aquela garota tão comum, tão não-apaixonante.  E nesse momento, para o seu desespero, você vai se dar conta que aquela garota não-apaixonante é a pessoa mais fantástica que você já conheceu. E você vai tentar correr atrás e tentar reparar o grande erro. Mas será tarde demais porque ela será a garota daquele cara sortudo que conseguiu encontrar a tão comentada mulher encantadora.  Tarde demais porque mesmo estando debaixo do seu nariz o tempo inteiro, você preferiu não ver. Tarde demais porque nós também cansamos. E então você vai se remoer por isso, vai se sentir culpado e com raiva de si mesmo por perder a garota não-apaixonante que  contava as piadas idiotas e te fazia rir. É, a garota que você tanto procurava estava lá o tempo inteiro, mas você foi o único a não perceber. 

2 comentários:

  1. Luíza, como podemos não nos conhecer pessoalmente e pensarmos de maneira tão parecida e ter gostos tão semelhantes? O outro lado da família também tem algumas garotas não-apaixonantes encantadoras. Tenho uma bem especial em casa. Coitados dos que não perceberam/percebem. Sortudos dos que descobriram.

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