27 março 2012

I wanna go home.


“Lar é onde o seu coração está”
Esse seria o tema que tentei abordar umas 30 vezes no meu pequeno espaço virtual hoje, mas cada vez que começava a escrever algo me fazia parar, algum bloqueio, talvez. E então eu apaguei dezenas de vezes qualquer trecho aqui escrito.
Quando as pessoas falam em lar, certamente conseguem ver claramente a imagem de uma família reunida ao redor de uma mesa durante um jantar conversando sobre assuntos banais enquanto o cachorro fica na volta tentando furtivamente roubar um pedaço de carne assada que acidentalmente alguém deixa cair no chão. Sem esquecer claro do “boa noite” do William Bonner como trilha sonora.
Pois é, parece simples descrever a imagem perfeita de um lar. Mas então por que tive tanta dificuldade em expressar o que é esse lugar? Pensei uma, duas, três vezes e cheguei a conclusão de que lar, para mim, não está relacionado a algo físico ou pessoas específicas. Lar, em mais um dos meus enormes devaneios sem sentido algum, é o meu estado de espírito.
Eu venho me sentido sozinha há muito mais tempo do que posso me lembrar, é como se por mais que eu estivesse rodeada de família e amigos e me arrisco a dizer até alguns pequenos amores, eu não conseguisse fechar esse buraco.  É como se eu estivesse acorrentada a alguma coisa que não me permitisse acabar com meus medos. É como se tivesse uma peça faltando para que a máquina funcionasse corretamente. Eu me sinto vazia de esperanças.
Há exatos 4 anos enfrento uma crise muito comum nos dias de hoje e por mais que eu tente passar a imagem de uma pessoa decidida e destemida... Eu não passo de uma criança assustada.
Eu li mais livros de Direito que minha paciência pode suportar, eu procurei respostas nas mil e uma teorias da sociologia e psicologia, eu precisei de um tempo “parada” para escolher o que queria fazer da vida, eu busquei ajuda na filosofia das artes marciais e agora... Estou mais uma vez encontrando um rumo.  O rumo ideal, pelo que parece. A escolha certa a se fazer. A espera do preenchimento da alma. Vou me aventurar no mundo das exatas e anatômicas dessa vez. Tive a chance de ter um cérebro humano em minhas mãos hoje. Mexi, remexi, virei de ponta cabeça, montei, desmontei... Pensei então; Como era possível ter tantas dúvidas e incertezas dentro de uma mente só? Mas a verdade é que lá no fundo, bem lá no fundo, escondido dentro de mim... Eu sei que não importa por quantas áreas eu ainda irei passar, eu não vou conseguir preencher esse buraco vazio com leituras, cálculos e experimentos. O meu coração, o meu lar, a minha origem, a minha explicação, meu começo, meio e fim está em nada além que palavras que sempre acabam impressas em papel e são engavetadas.
O mundo já perdeu, assim como eu, há tempos a esperança, as pessoas não acreditam que podem fazer a diferença. É como uma cegueira incurável, um vírus que se espalha cada vez mais e os sintomas não são vistos porque ficam em uma parte que se degenera aos poucos e ninguém pode ver. Mas eu acredito, acredito que mesmo com tanta apatia, as palavras impressas no papel, que já mudaram tanto a minha vida, podem mudar a vida dos outros bilhões de indivíduos que andam perdidos por aí. O difícil é acreditar que essas palavras realmente podem acender aquela faísca que está faltando na alma. As palavras impressas tem poder. As palavras impressas são a cura. E o meu coração pertence a essas palavras. Pertence à informação. O meu lar está bem a minha frente esperando que eu tome as rédeas e tente fazer a diferença. Mas ao mesmo tempo tão longe... E cada vez se afastando mais.
E eles não podem entender... Não, eles não podem. Porque o coração de um escritor é incompreendido e desvalorizado pela maioria das pessoas. O coração de um escritor não tem valor algum perante a sociedade. O coração de um escritor não pode curar um câncer ou “fazer justiça”. O coração do escritor é inútil.
E mais uma vez eu me pego aqui escrevendo um punhado de besteiras sem sentido, sendo ridicularizada por aqueles que ainda tem saco para frequentar esse meu pequeno espaço virtual, o meu, por mais idiota e vago que pareça, lar

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