10 dezembro 2014

Editorial: As faces do vestir.

Confesso que trabalhar com fotografia nunca foi minha intenção. Sempre me dei mal nas cadeiras de fotografia na faculdade e nunca tive uma "visão fotográfica". Mas no começo de 2014 a coisa mudou de figura: fui estagiária na área de jornalismo policial no jornal Folha da Cidade em Dom Pedrito e para a minha infelicidade na época, colocaram uma câmera na minha mão e boa sorte. Tive que me virar nos 30 para aprender a fotografar. 
Foi na UCPel Fashion Week que de fato peguei gosto pela fotografia. Como pretendo me especializar em moda após concluir o curso de jornalismo, todos os meus trabalhos estão seguindo esta linha. 
Como fiz contato com muitas alunas do curso de Design de Moda da minha universidade após o evento, algumas delas me chamaram para fazer as fotos dos projetos de integração que são apresentados a cada final de ano. 
O projeto de integração interliga as disciplinas cursadas durante o ano e consiste numa pesquisa teórica do tema abordado, o desenho dos croquis e a apresentação do look em si feito pelas alunas. 
A Shay, que cursa o 4º semestre me chamou para fotografar o editorial As faces do vestir cujo tema era Moda: Rebeldia, juventude e ousadia. 

 


O editoral da Shay se chama As faces do vestir é inspirado em Hester do livro The Scarlett letter e em Olive do filme Easy A. Ela mistura o puritanismo da letra “A” usada pelas personagens em ambas histórias e se dá ao fato de que Olive, a personagem que pertence aos dias atuais, enfrenta tipos diferentes de julgamento em relação aos da época de Hester, que viveu no século XVII em uma comunidade puritana de Boston carregada de ideologias que pregavam que a mulher deveria ser submissa ao sexo masculino.



Projeto de integração: Shayanny Moura
Modelo: Laura Silva

Espero que tenham gostado e não esqueçam de comentar! 
Beijos, Luiza. 

03 dezembro 2014

5 perguntas para fazer a si mesma antes de ir às compras.

O meu grande problema sempre foi a empolgação momentânea na hora de escolher as peças de roupa para comprar. Eu costumava ficar tão eufórica na hora de fazer compras que acabava comprando coisas que usei duas vezes no máximo ou que simplesmente ficaram esquecidas no fundo do meu armário. 
O resultado? Um guarda-roupas atulhado de coisas que não tinham harmonia entre si. Peças de vestuário de vários estilos diferentes que juntas formavam um circo de horror. Roupas que não ficavam bem no meu corpo e apesar de ter roupas caindo aos meus pés cada vez que abria o armário, eu vivia o pesadelo da maioria das mulheres do planeta: Não ter o que vestir. 
Foi quando voltei do meu intercâmbio em 2013 que resolvi mudar: Limpei o guarda-roupas, me livrei de tudo que não servia ou não combinava e encontrei o meu estilo pessoal. Consequentemente mais de metade do meu guarda-roupas se foi nessa mudança e minhas opções de vestuário ficaram escassas e eu precisava fazer compras urgente. Só que havia um problema: Eu não tinha mais dinheiro. Consumi até o último centavo no intercâmbio e estava dura. Comecei a pesquisar na internet, livros e sites de moda. Precisava de uma solução para os meus problemas e foi nesse momento que a encontrei. A partir do momento que estudei a fundo o que cada um representa na sociedade, ficou mais fácil descobrir o que deveria entrar no meu guarda-roupas ou não. 
Hoje em dia consigo fazer minhas compras sem tanta culpa. Claro que às vezes ainda me aventuro em araras de roupas que fogem do meu hábito. Resolvi partilhar essa experiência pessoal para ajudar os leitores do blog antes de passar o cartão de créditos e sair de alguma loja com várias sacolas com roupas que podem acabar jogadas em um canto.Pensando nisso, resolvi dar cinco dicas que sigo  quase religiosamente antes de comprar peças de vestuário. 

Essa roupa combina comigo? 
Se você já sabe que tipo de peça combina com o seu biotipo ou com a imagem que você quer passar a coisa fica um pouquinho mais fácil. Se você já tem um estilo, mas quer mudar algo ou acrescentar um diferencial no seu guarda-roupas, sempre pergunte a si mesma se a peça que está experimentando no provador realmente tem a ver com você. Se a peça fugir muito do seu padrão, ela acabará sendo deixada de lado.

Ficou realmente bem em mim? 
Quando vestir uma roupa, procure analisar todos os ângulos dela. Vire de costas, de lado, se abaixe, dance macarena, qualquer coisa para ter certeza de que ela está como você quer. Conheço gente que experimenta roupas e só se olha no espelho de frente. Ok, de frente a roupa pode parecer ter sido feita sob medida para você, mas não esqueça: você existe em vários ângulos, certifique-se que está tudo ok com a roupa em todos eles. 

Essa peça combina com pelo menos quatro itens do meu armário? 
Considero essa pergunta a mais importante. Você se apaixonou perdidamente por uma blusa azul royal com spikes nos ombros (?) e quer comprá-la a todo custo. Você precisa perguntar a si mesma se consegue fazer pelo menos quatro combinações mentalmente com outras roupas que já possui. Se a resposta for "pois é... eu tenho uma calça guardada" ou "eu posso comprar uma saia que vai ficar perfeita com essa blusa" esqueça. 

Vale o investimento? 
Mais vale um vestido de boa qualidade na mão do que cinco compradas só porque estavam na liquidação da liquidação da liquidação de uma loja estranha. Nem sempre os itens baratinhos vão valer o dinheiro investido. O que na hora parece um grande achado pode se transformar em uma grande perda de dinheiro. Se for para investir, que seja em apenas uma peça de qualidade que vai durar bastante tempo do que em cinco que vão se desmanchar na primeira lavagem. 

Cabe no meu bolso? 
Monte o seu guarda-roupas de acordo com o seu orçamento. Uma coisa é investir em uma roupa e outra é fazer o cartão de créditos sangrar ao parcelar algo em 5x. Após fazer as quatro perguntas acima e mesmo assim decidir comprar a peça, veja se essa compra não vai causar um desfalque em suas finanças. Parte da magia das compras é poder usar o que comprou sem remorso e você jamais vai conseguir fazer isso se ficar pensando "ainda tenho mais três prestações de R$200,00 para pagar por essa porcaria". 

Se a peça passou por esses cinco requisitos básicos e você está pronta para embalar e levar para casa, eu só tenho uma coisa a dizer: Aproveite suas roupas novas e seja feliz com suas compras! 
Beijos, Luiza.

24 novembro 2014

Madame Charme por Jennifer L. Scott

"A jovem Jennifer teve uma experiência rica que toda mulher sonha em ter. Durante seis meses de intercâmbio em Paris, a estudante americana aprendeu com sua anfitriã como se vestir de forma elegante com um guarda-roupa básico, como comer bem sem engordar, como se maquiar sem parecer maquiada, enfim, como viver à française. Madame Charme: lições de estilo, beleza e comportamento que aprendi em Paris vai guiá-la por essa aventura real e ensinar como as francesas transformam as pequenas coisas da vida em pérolas da arte de viver bem.
Cada capítulo deste livro revela um segredo valioso que Jennifer aprendeu enquanto estava sob a tutela de Madame Charme em Paris — dicas que você pode incorporar ao seu próprio dia a dia, não importando onde viva ou o tamanho do seu orçamento.
Divertido e envolvente, Madame Charme é essencial para quem deseja incorporar o je ne sais quoi parisiense em sua vida diária."



 Madame Charme é o primeiro livro da autora americana Jennifer L. Scott. O livro se trata de nada menos que lições aprendidas pela própria autora no tempo que passou na casa de uma família tradicional de Parisienses quando fez um intercambio de seis meses na França.

Além de abordar o tópico moda e beleza, aos longo dos vinte capítulos que é divido, a autora narra o grande choque cultural que recebeu que teve e a adaptação à cultura francesa e o que aprendeu observando a família Charme - nome fictício a fim de manter a privacidade da família - e a matriarca Madame Charme e no final acaba transformando seu aprendizado em lições de vida.



Os vinte capítulos do livro são inspirados principalmente na maneira desapegada e leve que a família francesa leva e divididos em três partes: Dieta&Exercícios, Estilo&Beleza e Como viver bem. Citando diversas situações do cotidiano da família Charme, a leitura acaba sendo algo bastante dinâmico e gostoso. As dicas dadas pela autora são válidas e totalmente aplicáveis ao dia a dia ou pelo menos nos fazem repensar em algumas atitudes, como por exemplo, o consumismo desenfreado e a importância de ter uma vida organizada, não só no sentido material da palavra, mas ao que se refere à forma com que lidamos com nosso próprio corpo e a imagem que queremos passar.
Recomendo a leitura de Madame Charme a todos que tem curiosidade ou apreço pela cultura francesa e aos que buscam constantemente uma forma de enriquecer de alguma forma a sua vida.



Aos que tem interesse em conhecer um pouco mais sobre a autora Jennifer L. Scott, ela tem um blog onde fala um pouco mais sobre como colocou os aprendizados de Madame Charme em prática e outras dicas sobre o dia a dia. Vale o click! 
A autora lançou há pouco tempo o livro At home with Madame Chic, mas ainda tem previsão de lançamento no Brasil.
Resenha escrita originalmente para o site Estante Seletiva.

Beijos, Luiza. 

08 novembro 2014

UCPel Fashion Week: parte I

Semana passada rolou um evento super bacana na minha universidade. O Diretório Acadêmico da Moda organizou a primeira UCPel Fashion Week que surgiu a partir do Fashion Day que aconteceu em 2008. 
O evento aconteceu entre os dias 28 e 31 de outubro e contou com várias atividades para o público que tem interesse no mundo da moda. Entre eles, palestras com grandes nomes na moda pelotense como a estilista Eliza Andrade, a professora e produtora de moda Frantieska Schneid e a consultora de moda e empresária Vandressa Pretto que veio de Porto Alegre especialmente para o evento. Além das palestras, oficinas de cartonagem, programas de edição de imagem e ilustração foram ofertadas e ministradas pelas próprias alunas de diferentes semestres. Eventos públicos como o Moda na Rua, onde as estudantes conseguiram expor o seu trabalho e o grande desfile de encerramento que mostrou as coleções das meninas e o projeto de integração das graduandas do quarto semestre do curso também fizeram parte da programação.
Como toda boa curiosa e enxerida, ao saber da existência da Fashion Week, fui atrás das responsáveis pela organização e me ofereci para fazer a cobertura do evento. 
Lá se foi uma Luiza com uma câmera pendurada no ombro e um bloquinho de notas na mão. 
Como pretendo seguir o caminho do jornalismo de moda, busco o máximo de informação possível em cursos de moda online e livros, mas até então não tive a oportunidade de ver como a coisa de fato acontece. Essa experiência que as meninas da moda proporcionaram, me fez ter ainda mais certeza que estou trilhando o caminho certo. Gostaria de deixar aqui o meu agradecimento ao Diretório Acadêmico da Moda da UCPel e às alunas do curso que me permitiram fazer parte do incrível mundo fashion. 
Confiram abaixo algumas das fotos que fiz na UCPel Fashion Week 2014: 

O Moda na Rua aconteceu no largo do campus I da universidade. As alunas do curso expuseram suas coleções e trabalhos publicamente. Além de conferir de perto as produções, era possível comprar peças exclusivas das alunas ou do brechó montado por elas. 





As oficinas ofertadas na Fashion Week eram ministradas pelas alunas do próprio curso da universidade. 

Oficina de Ilustração ministrada pela aluna Jéssica Madruga. 



Oficina de Cartonagem de bolsas ministrada pelas alunas Mariana Reis e Daniele Slabão. 




A professora e produtora de Moda Frantieska Schneid convidada para palestrar no evento. 



Palestra "O que a nossa imagem fala sobre nós: Vestindo-se para o sucesso" com a consultora de Moda Vandressa Pretto. 

Mesa redonda com a estilista Eliza Andrade. 


Separei a postagem em duas partes, já que a parte II será voltada para o desfile que ocorreu no campus principal da UCPel e para os detalhes das coleções das alunas do curso. Pretendo publicar no começo da semana que vem. 
Espero que tenham gostado do post! 
Beijos, Luiza.

05 novembro 2014

Man Repeller por Leandra Medine

Man Repeller - A divertida moda que espanta os homens é o primeiro livro autobiográfico da americana Leandra Medine, dona do blog com o mesmo nome. 

                                                               Conheça o blog da Leandra clicando aqui

No livro, a autora compartilha de uma forma bem humorada e insolente algumas de suas memórias e compartilha fotos de seu arquivo pessoal. Obviamente, Leandra fala como se transformou em uma repelente de homens e a origem do blog de acordo com seus mil amores, excesso de mistura de tendência, obsessão pela moda e por compras - sendo comparadas muitas vezes até a própria Carrie Bradshaw de Sex and the City. 

Tudo isso fez com que Leandra tivesse uma assinatura pessoal bastante peculiar. No meio de camadas de roupas  poque faziam  homens passar bem longe ou simplesmente não levá-a a sério em relacionamentos, ela se viu em um grande dilema ao teorizar a frase “Moda boa é aquela que agrada às mulheres, não aos homens” e a partir daí, com a ajuda de uma amiga que a fez enxergar o porque de ser considerada uma espanta homens o blog Man Repeller foi criado.




"Em seu primeiro livro, a badalada blogueira e queridinha do mundo fashion conta suas divertidas memórias. Com jeito insolente, uma franqueza desconcertante e fotos de seu arquivo pessoal, Leandra compartilha detalhes da noite em que perdeu a virgindade, quando esqueceu de tirar as meias soquetes brancas, e descreve o momento em que percebeu que a clutch Hermès vintage da sua avó, feita de pele de avestruz, poderia guardar muito mais do que a chave e o celular. Leandra é a prova de que não precisamos trair nosso estilo repelente nem mesmo ao procurar o vestido de noiva (que pode ser muito bem ser combinado com uma jaquetinha perfecto de organza). Exibindo as opiniões originalíssimas de uma blogueira que ganhou milhões de fãs, este livro reúne experiências divertidas e meio bizarras, uma história amor superdoce e, acima de tudo, um lembrete para celebrarmos um mundo que é feito pelas mulheres e para as mulheres."
Com o sucesso mundial do blog ganhou um lugar na lista dos 25 melhores blogs de 2012 da Times e tem em média 5 milhões de visitas por mês, Leandra viu que já estava na hora de sair das telas dos computadores e publicar um livro com suas experiências desde a perda de sua virgindade, até o momento que a Man Repeller deixou de repelir homens e casou-se. Ou será que mesmo com todas as loucuras da autora, seu namorado/marido não deixou-se ser repelido? 


Resenha escrita originalmente para o site Estante Seletiva. 

25 julho 2014

Pelo direito de ser feliz sozinha.



Quem aí nunca se deparou com o fato de ser a única pessoa solteira em um grupo de amigos compromissados que atire a primeira pedra. Eu, pelo menos, já passei por essa situação tantas vezes que até perdi a conta. E em todas esses situações, as pessoas desse mesmo grupo acabam me fazendo passar por momentos embaraçosos já que na concepção delas, eu também devo arranjar um namorado para chamar de meu.
Aconteceu algo inacreditável em 2014: Todas as minhas amigas começaram a namorar. Algumas delas já estão em relacionamentos há anos, mas outras decidiram que cansaram da solterice esse ano. Até esse ponto, não vejo problema nenhum porque cada um sabe se si. 
Eu só começo a ver problema nos relacionamentos alheios quando os dois namorados acham que está na hora de eu arranjar alguém também para acompanhá-los em programas de casal ou simplesmente quando resolvem me taxar de infeliz por ser solteira e ainda dizer que metade dos meus problemas sumiriam se eu estivesse com alguém. E então de repente, o casal tem a brilhante ideia de querer me apresentar àquele amigo solteiro que está precisando de namorada e quem acaba se ferrando sou eu. 
No começo desse ano uma das minhas amigas me levou a um barzinho para conhecer o novo namorado dela. Mulher tem essa mania de querer que a amiga aprove o seu "pretendente" e então sempre vai organizar algum evento para que isso aconteça. Geralmente é algum encontro em um pub ou um jantar íntimo. Tem toda uma firula para algo que poderia ser feito no meio da rua, mas ok, esse não é o X da questão e para não ser hipócrita, eu admito que já fiz isso uma vez. 
Voltando ao encontro com o namorado da minha amiga, combinamos de tomar uma cerveja numa sexta-feira à noite. Conheci o dito cujo, bebemos, conversamos e eu ouvi a história de como eles se conheceram. De novo. Lá pelas tantas, entre uma cerveja e outra, o casal resolveu falar sobre  um amigo do portador de testículos da relação. De acordo com ele, seu amigo estava solteiro e querendo uma namorada. Isso bastou para que o Tico e Teco tentassem me empurrar o cara goela abaixo. Minha amiga solteira e seu amigo solteiro, não é perfeito? Não. Não é. E foi aí que toda a merda começou:

- Lu, tu só não quer namorar porque nunca gostou de alguém de verdade. - foi a grande frase da noite. 
- Na verdade, eu só não quero um relacionamento porque tenho outras prioridade no momento. - rebati tentando não alterar a voz. - Não me importo, mesmo. 
- Eu acho que tá na hora de tu arranjar alguém para namorar, afinal, todas nós estamos namorando e pode ser meio chato sair com vários casais. Semana que vem, por exemplo, vamos fazer uma janta e tu vai ser a única solteira. - Respira Luiza, pensei. A essa hora eu já estava lutando para manter meu auto-controle e não mandar a minha amiga calar a boca. Vou dizer para vocês: algumas pessoas colocam os pés pelas mãos quando começam a namorar. Acho que nunca passou pela cabeça dela que eu não vejo problema algum em ser a única solteira do grupo.
No mês seguinte, outro casal de amigos me chamou para  sair. Eles e mais dois casais tinham combinado de ir a uma festa e acabei acompanhando toda a movimentação. 
Cheguei sozinha no lugar e fui recebida pela minha amiga. As primeiras palavras que saíram da boca dela foram "O meu namorado convidou um amigo dele para você". 
O que para eles era um grande favor, para mim acabou se transformando um estorvo. O querido amigo do casal poderia até ser bonito, mas era um porre. Não saiu de perto um segundo sequer, mesmo depois que deixei claro que não estava interessada. 
Usei a minha desculpa clássica de que precisava ir ao banheiro e nunca mais voltei para a "roda". Andei por toda festa e parei em um canto e lá fiquei até o final. No outro dia, minha amiga veio me perguntar o porquê de eu ter sumido e como havia perdido a chance de estar com um cara legal. Me limitei a dizer que se eu quisesse alguém legal, eu mesma ia achar e não gostava quando alguém tentava arranjar alguém. Claro que a partir do momento que respondi isso, ela disse para o namorado como eu estava amargurada. 

Com certeza eu nāo sou a primeira e nem última pessoa a passar por isso. Eu não entendo a dificuldade que as pessoas tem para respeitar as escolhas alheias, principalmente em relação a algo tão pessoal.

Por mais que a sociedade tenha evoluído, aquela velha concepção de que estar só é sinônimo de estar encalhada e infeliz ainda predomina. "Talvez você pense assim porque não encontrou a pessoa certa"é o que me dizem cada vez que abro a boca para falar sobre esse assunto. Talvez isso seja verdade, mas eu não me importo.
Antes de pensar em estar com alguém, eu vou atrás da minha felicidade, realizar meus sonhos e buscar minha independência. Eu vou viajar sozinha, dar a volta ao mundo, tirar o máximo de proveito de tudo que a vida pode oferecer e ainda fazer umas comprinhas básicas em meio a tudo isso. E se eu mudar de ideia durante esse percurso, a escolha é minha.
Me desculpem se ofendi alguém,  mas o meu amor próprio e minha felicidade estão em primeiro lugar na minha lista de prioridades. O dia que eu quiser realmente encontrar alguém, eu vou encontrar sem precisar de uma little help from my friends. 

08 julho 2014

Todos os amores eternos de cinco minutos da minha vida.


Eu relaciono o amor a um contrato ou simplesmente ao passar do cartão de créditos quando quero comprar algo. No jogo perverso do amor ambas as partes podem usufruir do relacionamento, mas precisam sacrificar algo em troca. No meu caso, seria o sacrifício do que eu mais amo: A liberdade. Não me levem a mal e não pensem que eu nunca amei ninguém, pelo contrário; eu já amei demais. Eu já transbordei sentimentos por cada poro da minha pele, mas um belo dia percebi que antes de amar qualquer outra pessoa no mundo, eu preciso me amar mais. E eu me amo. Me amo tanto que chega a ser egoísta. Me amo tanto ao ponto que não deixo nada e ninguém atrapalhar meus objetivos. Me amo tanto que o meu muro invisível é mais forte que a muralha protegida pela Patrulha da Noite em Game of Thrones. 
Em relação ao cartão de créditos, o amor também é visto como um impulso consumista. Eu vejo algo que quero comprar desesperadamente, não só desesperadamente, mas aquilo começa a me corroer. Eu preciso comprar e só Deus sabe como eu viro do avesso quando a minha necessidade de consumismo desenfreado aflora. Meu coração só volta a ter paz no momento em que eu digito a senha do meu cartão de créditos. E então eu quase explodo de alegria. Quando eu compro o mundo parece ficar mais bonito e isso continua até eu achar um novo alvo para consumir ou até a fatura do cartão de créditos chegar no final do mês. Eis o grande problema do amor parcelado em 3 vezes sem juros junto com aquela bolsa M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A da Guess: a fatura sempre chega. Só que após um tempo, até aquela bolsa de estimação acaba perdendo a graça. Paguei caro, usei por um bom tempo e então uma Louis Vuitton começa a aparecer em meus sonhos e meu coração começa a palpitar novamente. 
Talvez a maneira que eu trato o amor seja um tanto quanto fútil e eu não nego. Não me levem a mal, eu cresci lendo os livros de romance teen da Meg Cabot e amo assistir comédias românticas, mas não acho que me encaixo em 90% dos perfis das protagonistas das tramas. Também não pensem que eu acredito que o amor da vida real deve ser igual ao fictício; muito pelo contrário. Justamente por observar diariamente relacionamentos das pessoas ao meu redor e até mesmo desconhecidos que eu optei por ter um relacionamento sério comigo mesma. E com os meus Dolce&Gabbana. 
No auge dos meus 15 anos eu arranjei um namoradinho. Era o primeiro relacionamento sério da minha vida. Eu, que vivia enfiada em livros de mais de 300 páginas e rabiscando em cadernos sem pauta, não tinha ideia de como agir. Acho que aos quinze anos ninguém sabe. Bom, o Murilo foi a minha primeira compra no cartão de créditos. Será que compro mesmo? O custoxbenefício valia a pena? Qual é a senha do cartão mesmo? Por que não? 
Eu lembro que todas as minhas amigas namoravam na época, até a mais nova dela tinha pelo menos um rolo com um dos meus amigos de infância e eu me vi encurralada, solitária e curiosa. Aceitei o pedido de namoro do Murilo. Era tranquilo, gostoso e sem grandes emoções, o que era perfeito já que desde muito nova descobri que relacionamentos instáveis não eram para mim. Terminamos uma vez. Nessa vez eu percebi que sentia algo por ele, não uma paixão avassaladora, mas algo. E com toda a minha sabedoria de uma adolescente sem nada na cabeça, cortei o meu cabelo que época batia na cintura na altura dos ombros. Isso me rendeu a única briga que tive durante a vida inteira com a minha melhor amiga. Ficamos uma semana sem nem sequer falar uma com a outra e até hoje foi o maior período de tempo que eu e a Heloisa ficamos sem nos falar. Aquele corte Chanel se transformou em um dos maiores arrependimentos da minha vida já que depois disso nunca mais consegui deixar o meu cabelo do mesmo tamanho. Quem diria que qualquer coisa relacionada ao nome Chanel me traria algum arrependimento? Namorei mais um ano e meio com o Murilo. Quando completei 18 anos, mudei de cidade, conheci novas pessoas e comecei a olhar para os lados. Não sabia qual curso fazer na faculdade. Acontece que quando um relacionamento ultrapassa a marca do primeiro ano, as cobranças começam a bater na porta. Os juros da minha compra estavam cada vez mais altos e eu não sabia como reagir a isso e nem queria subir um degrau na escala de seriedade. Por me colocar em primeiro lugar e ter uma visão completamente diferente da do meu namorado terminei o relacionamento. Eu queria o mundo e acima de tudo, queria descobrir quem eu era.  
O segundo cara que teve importância na minha vida foi o Léo. Logo após terminar com o Murilo, comecei a fazer coisas que sempre gostei, mas não tinha coragem. Começar a praticar esportes além da obrigação de uma academia era uma delas. No mesmo ano comecei a praticar Artes Marciais e foi lá que conheci o Léo. No começo ele não me dava bola e por ser uma típica canceriana com ascendente em escorpião, fiz o coitado cair em uma das minhas armadilhas. Ele era o cara mais divertido que eu havia encontrado até então. Eu lembro que secretamente o comparei com um sapato que eu desejei por 6 meses, mas o preço era absurdo até o momento que um desconto mágico fez com que o par de sapatos custasse 50% do valor em uma liquidação rara. E por sorte, o único par restante era exatamente do tamanho do meu pé.  É, esse era o Léo.  O meu grande achado. O problema era o fato de ele ser perfeito demais. Companheiro demais e amigo demais. E foi isso que fez com que eu o enxergasse apenas como um amigo.Nessa altura do campeonato a Heloisa já queria me jogar pela janela. Terminamos, mas nunca deixamos de nos falar. Hoje em dia o Léo é o meu melhor amigo. Acho que essa amizade nunca existiria se eu não tivesse sido exatamente como foi. 
Dois anos após o Léo, entre várias idas e vindas, contratos amorosos feitos e desfeitos, relacionamentos de uma semana ou um mês, eu encontrei o Pedro. Ah, esse foi fatal. O conheci em uma das várias festas que frequentava em 2011. Ele chamou minha atenção e eu fui atrás dele. Eis uma grande verdade sobre mim: Se eu quero algo ou alguém eu vou atrás. Eu acredito que o machismo deveria ter ficado para trás no momento que a Coco Chanel vestiu o primeiro par de calças. 
Assinei o contrato de relacionamento com o Pedro, concordei com cada cláusula e até vi vantagens em um relacionamento aberto. Deu certo por mais ou menos um ano. Até que os juros da minha compra vieram. E bem altos por sinal. Ele era aquela bolsa Prada que eu havia comprado em 24 vezes e já havia perdido a conta de quanto e até quando teria que pagar. O resultado? O grande primeiro apego da minha vida. Ele era aquela calça velha e já esgaçada que eu usava mesmo sabendo que estava na hora de aposentar. O problema de ter uma peça favorita no guarda-roupas é quando você não sabe a hora de deixar de lado. E se vocês me perguntarem quando eu percebi isso, eu vou dizer que não faço ideia. Nós dávamos certo até o momento que não dávamos mais. E foi depois de sofrer e fazer o Pedro sofrer que eu percebi o quanto estava sendo egoísta. Eu precisava seguir em frente. 
E então, mais uma vez me vi aproveitando minha liberdade. Mesmo em um relacionamento aberto com o Pedro eu ainda me sentia presa de alguma forma. Presa a algo que eu nem sabia o que era. Após tantas reviravoltas, eu finalmente entendi que o tipo de vida que eu quero, os meus sonhos e objetivos não são compatíveis a uma pessoa que possui relacionamentos duradouros. Tive muitos amores nos intervalos desses meus três amores eternos de cinco minutos. Eu fujo de cada homem que insinua querer algo mais sério porque seria egoísta prender alguém a algo que eu vou acabar esquecendo no fundo do armário. Eu gosto de ser sozinha e isso faz com que eu tenha coragem o suficiente para explorar novos rumos. E me desculpem todos os homens que já se aproximaram de mim nos últimos tempos, mas eu estou em um relacionamento sério comigo mesma há 22 anos. E querem saber mais? É o melhor relacionamento da minha vida.  

* Todos os nomes são fictícios.
* A Heloisa ainda é a minha melhor amiga.
* E não, eu ~ainda~ não comprei a minha bolsa Prada. Não precisa surtar, mãe.
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